Numa tarde de outono,
onde o nada era tudo,
eu o vi
como um raio, inundando todo o meu ser.
Logo pensei, mas porque?
Não tenho nada, não sinto nada...
Mas naquele momento eu senti,
senti minhas mãos tremulas, meu corpo suado,
e a cabeça
numa gira descontrolada e ao mesmo tempo,
estática.
Vendo meu descontrole,
ele ofereceu a mão, mas eu não conseguia
segurá-la,
meu corpo não respondia à sua delicadeza.
Aos poucos, fui sentindo que não era mais eu,
era alguém que
habitava meu corpo sem minha permissão
e sem o meu chamado.
Queria algo que eu não queria,
estava tomando conta de mim e
eu não tinha condição nenhuma de rejeitar,
porque não era mais eu, era outro.